O serviço na Rota

Por que serviço na Rota? Como implementá-lo? **
Em seu livro “O Caminho para o Sucesso” (Rovering to Success), obra em que Baden-Powell lançou as bases para a estrada, o serviço aparece muitas vezes.

Aqui estão três:

  • Faça serviço aos outros e você terá toda a alegria que desejar (p. 32).
  • Alegria vem para aquele que serve, por meio de seu irmão, seu Deus Pai (p. 193).
  • O serviço é a consequência prática do Escotismo Rover (pág. 255). É interessante notar que para Baden-Powell o serviço prestado é uma das chaves essenciais para a felicidade.

Parece-me que o texto fundador do serviço na rota poderia ser o lava-pés dos seus apóstolos feito por Jesus na Quinta-feira Santa.
“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes. (João 13, 12-17).

Assim como este texto sobre o serviço dos Chefes, quando Jesus lhes disse: Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que aqueles que são considerados chefes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. (Marcos 10:42-45).

Serviço na Rota

O dever do Escoteiro começa em casa. Assim como a Boa Ação é diária, o serviço deve ser um hábito, pois não há verdadeiro serviço sem uma escola (prática) prévia. Não existe geração espontânea do serviço.
As famílias, as Equipe Piloto e os Clãs são, portanto, escolas de serviço, que permitirão depois outros serviços: da paróquia, da Igreja, do país, da profissão, da vocação e do serviço do pai chefe de família.
Em nosso mundo paganizado, João Paulo II gostava de dizer que um cristão isolado é um cristão em perigo. Assim, é no serviço da Rota será feito. Desta forma a Equipe e o Clã serão verdadeiras comunidades de homens prontos para servir.

Serviço da Rota

A maior pobreza é não ter fé e não ter esperança. No entanto, hoje, em nossos países ocidentais, é a pobreza mais generalizada. Daí a urgência de testemunhar a fé que impelia São Paulo. É por isso que o testemunho da nossa fé deve ser o objetivo, implícito ou explícito, de todo serviço do Caminheiro e do Piloto.
Uma missa, uma celebração, uma oração diante da Via-Sacra, uma Vela de Testemunho de fé são testemunhos explícitos. Mas sempre que durante uma atividade de equipe ou clã alguém de fora pode dizer ou pensar como eles se amam, haverá um testemunho implícito.

Serviços coletivos

O Chefe do Clã e o Chefe da Equipe Piloto terão que saber recusar – gentilmente, mas com firmeza – a se deixar confinar em serviços domésticos, como garantir a mordomia, realizar instalações, realizar um serviço de ordem, etc.
O serviço na Rota terá duas vertentes prioritárias: a evangelização de crianças e jovens, o serviço aos pobres e deficientes.
Este serviço pode ser desenvolvido continuamente ao longo do ano, de forma a fazer com que a equipe experimente a lealdade no compromisso. No entanto, não deve ser esquecido que o objetivo do tempo-piloto é, acima de tudo, preparar para o engajamento de RP. Serão, por exemplo: a animação de uma vigília e de um jogo durante um acampamento escoteiro, que permitirá entusiasmar os mais novos; animação litúrgica numa paróquia, no Natal ou durante um tríduo pascal; participação na organização de uma peregrinação; participação em uma grande reunião ou convenção da Igreja; ajudar em uma ação de caridade realizada por uma associação específica, etc.

Serviços pessoais

É bom que, além dos serviços coletivos, cada Piloto tenha um serviço pessoal: litúrgico, catequese, ajuda a doentes, idosos, deficientes, alfabetização, etc. É importante que se materializem em laços de amizade.
O primeiro inimigo que cada um de nós que devemos vencer é o próprio medo, que às vezes nos paralisa.
A primeira cura a pedir a Deus é a nossa. O serviço da Rota auxiliará a cada um de nós nessa cura, pois há reciprocidade fundamental no serviço prestado. Muitas vezes, descobriremos que a pessoa a quem ajudamos de qualquer maneira, nos traz muito mais do que nós mesmos podemos trazer para ela.
Podemos nunca ser capazes de curá-lo ou torná-lo mais rico, mas ele pode nos curar de nosso medo e egoísmo.
E quando tivermos medo do serviço a ser realizado, lembremo-nos da palavra do Senhor, que percorre toda a Bíblia: Não temas, estou contigo!

Conclusão

Tomamos emprestada para a nossa conclusão, a de São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo, doutor da Igreja
(Homilia para a festa da Páscoa; PG 36, 624):

«Quem é este rei glorioso?» (Sl 23, 8) Responde-lhes que é o Cristo, «forte e poderoso» (v. 8) em tudo quanto fez e continua a fazer. […] Faz-lhes ver a beleza da túnica envergada pelo corpo sofredor de Cristo, embelezado pela Paixão e transfigurado pelo brilho da divindade, essa túnica de glória que foi o objeto mais belo e mais digno de ser amado neste mundo. […] Ele será pequeno pelo fato de Se ter feito humilde por tua causa? Será desprezível pelo fato de, Bom Pastor que dá a vida pelo seu rebanho (Jo 10,11), ter ido à procura da ovelha perdida e, depois de a encontrar, a ter posto aos ombros, que por ela carregaram a cruz, e a ter sido contado de novo entre o número das ovelhas fiéis que permaneceram dentro do aprisco (Lc 15,4s)? Parece-te menos grandioso por Se ter cingido com uma toalha para lavar os pés aos discípulos, mostrando-lhes assim que o meio mais seguro de a pessoa se elevar é humilhando-se (Jo 13,4; Mt 23,12)? Porque, inclinando a alma para a terra, Se abaixa a fim de elevar consigo aqueles que viviam abatidos sob o peso do pecado? Censuras-Lhe o fato de ter comido com os publicanos e os pecadores, para salvação deles (Mt 9,10)?

Ele conheceu a fadiga, a fome, a sede, a angústia e as lágrimas, seguindo a lei da nossa natureza humana. Como Deus, porém, o que Lhe falta fazer? […] Precisávamos de um Deus feito homem, tornado mortal, para podermos viver. Partilhamos a sua morte, que nos purifica; pela sua morte, Ele deu-nos a partilhar a sua ressurreição; pela sua ressurreição, deu-nos a partilhar a sua glória.

** É útil consultar o livro: Une Pédagogie Pour La Route. Bruno Rondet. Este artigo é uma síntese do capítulo X, intitulado: Pedagogia do serviço.**